PRIMEIRAMENTE DEUS

PRIMEIRAMENTE DEUS!

Não sou só, nem sozinho
Aqui, ali e além
Sou ímpar.
Como todos os irmãos desse mundo
Minha imagem no espelho refletido
Também sou eu, somos dois
Até mais, muito mais.
Tenho retratos, sou eu, mas
Fico estagnado, não tenho vida
Identifico-me, mostro apenas um lado.

Caminhando ou parado
Sou minha sombra
Atrás, na frente e do lado.

Meu corpo, meu rosto
Não é só o que sou num todo
Também sou alma.
Como todos os irmãos do mundo.

Sou eu por fora
Sou também por dentro
Porque, claro sou uma vida.
Como tantas vidas pelo mundo
Além, é claro, sou um indivíduo
Como qualquer um aqui vivendo
Neste mundo sou filho de Deus.

Eu sou uma razão divina
O destino, a minha sina
Todo mundo é meu irmão

Quem sou eu realmente!
Tem gente que não gosta,
Mas é assim que sou!
Também filho do Raimundo

Aí eu digo: “também sou gente… “
A minha própria sorte sou a morte
A vida vivida por uma razão.

Fui feito da terra, vim do pó
Foi-me feito carne, muita água
Apenas mais um neste mundão.

Analisando-me, sou grande, sou forte
Mas, sou pequeno, fraco
Até animal eu sou.

Porém, sou minha cabeça
O meu íntimo, trás os sentidos
Na minha consciência.
A própria natureza, sou parte da terra
Um espírito pecador
De várias existências.

Eu sou os meus passos
O meu pior inimigo
E o meu melhor amigo.

Sou as minhas ilusões
Por quem padeço um viajante
O meu sorriso, o meu semblante.

Continuo sempre um menino
Um aprendiz deste mundo
Para um dia ser um pouco gente.

Não ando sem nada
Por essa viagem
Carrego bagagens.
E uma cruz sobre os ombros
É invisível!
Carrego também uma mala pesada.

Nela levo tudo
Amor, ódio, tristeza, sofrimento
A felicidade, o medo dor e o ungüento

Me visto tenho vestuários
Mas, eles não cobrem minhas chagas
As cicatrizes que o tempo deixou.

Nesse saco de viagem
Também carrego saudade, lealdade
E até a bondade.

Por direito a mim foi dado
O livre direito da escolha
Para todos os fins.

Ganhei de Deus a liberdade
E por sua bondade
O direito de seguir.

À medida que vivo e sigo
Cada vez mais pesado fico
Penso, é o peso dos meus guardados.

Mesmo parecendo que não posso
Ou não queira, comigo segue
Até a morte a história da minha vida
Às vezes eu fico calado, escondo
Muito bem guardado, as arestas
Cascas, complexos, medos
Carências e escudos.

Esqueço-me, mas o tempo sempre me lembra
Tenho todos os lados
Até nome, prenome e sobrenome

Também sou vários números,
De nascimento, batizado, casamento
E tantos outros, um para cada documento.

Carrego comigo a sede, a fome
Meu sangue, meu coração
Todos os meus sofrimentos.

A mulher que um dia amei
Todas que encontrei
Até aquelas que desprezei.

Carrego trabalho, cansaço
O desleixo, a preguiça
O sono e todas as vontades.

Carrego minhas vitórias
Os meus fracassos
E todas as derrotas.

Lágrimas, fraquezas, ilusões
Minha própria paixão
Para seguir preciso do sol.

Do ar, da água, da terra
Dos rios, do mar
Preciso amar e ser amado.

Sou também um cara
Que xinga, reclama, encara
Que vai e volta que chega e não fica.

Meu Deus! Sou tantos
Ah! E por isso carrego tantos
Que consigo ser quem sou.
Com tudo que sou e tenho
Jamais eu mesmo seria
Com tantos, sendo como são.

Ninguém podera ser eu
Não posso ser ninguém
Ninguém me pertence e não sou de ninguém.

Como tudo é de Deus
Portanto mesmo sendo tantos
Imagina Deus?

Eu nunca poderei ser Deus
Sou apenas sua criação
Apenas um seu irmão.

Para mim acho, sou muito
Mas ao mesmo tempo, não sou nada
Mas Deus espera que eu cresça.

A todos e a tudo servindo
Primeiro devo servir a ele
Para depois servir você.

Sendo assim
Primeiro sirvo a Deus
Depois de Deus, servindo você
Sirvo à mim.
SNITRAM
Editora de Texto Rosali Gazolla